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Rubens Otoni na Mídia
Rubens Otoni - 30/05/2010 - Eleições 2010 - Iris muda mapa eleitoral
30/05/2010
Eleições 2010 - Iris muda mapa eleitoral
Sucesso da administração peemedebista repercute nas grandes e médias cidades de Goiás

Andréia Bahia

Os cinco anos que Iris Rezende (PMDB) esteve à frente da Prefeitura de Goiânia alteraram o mapa eleitoral do Estado. A boa avaliação da administração do peemedebista influenciou não apenas o voto dos goianienses, mas do eleitor das cidades do entorno da capital e das médias e grandes cidades goianas. Segundo a última pesquisa Serpes, Iris Rezende lidera a intenção de votos em Goiânia e na Região Central. Na capital, Iris Rezende conta com 46,1% dos votos, enquanto o senador Marconi Perillo (PSDB) aparece com 32,1%. Na região Central, o ex-prefeito soma 46,2% e o senador tucano 41%.

A influência de Iris Rezende na região do Centro abrange os municípios que vão de Guapo, a Aparecida de Goiânia, Hidrolândia, passando por Senador Canedo, Anápolis, São Francisco de Goiás, Trindade e Itaberaí. Segundo Antônio Lorenzo Martínez, diretor do instituto de Pesquisa Serpes, “os votos de Iris estão concentrados principalmente em Aparecida e menos em Anápolis, mas a diferença entre Iris e Marconi em Anápolis é pequena”.

A preferência por Iris Rezende nessa região se justifica, segundo Antônio Lorenzo, pela visibilidade que teve no período que administrou a capital. “Iris aparecia na televisão de Goiânia, mas não em Itumbiara e Anápolis, por exemplo.” No caso específico de Goiânia, Antônio Lorenzo afirma que o ex-prefeito conquistou o eleitorado fazendo oposição ao PT. “Iris Rezende representou uma mudança em relação à fraca administração do PT”. Segundo ele, o eleitor da capital é mais crítico e exige que os prefeitos ofereçam mais que Pedro Wilson, ex-prefeito petista que antecedeu Iris Rezende, ofereceu em seu mandato.

O publicitário Marcus Vinícius Queiroz afirma que a liderança de Iris Rezende na região central do Estado é resultado do êxito de sua boa administração na capital e também da exposição que o ex-prefeito teve nos últimos cinco anos. "Ele teve a oportunidade de cativar o eleitor goianiense." Um processo que repercutiu em Aparecida de Goiânia e Anápolis, municípios que, junto com Goiânia, representam de 30% a 40% do eleitorado do Estado, um percentual extremamente importante em qualquer eleição.

A capital goiana conta com 850 mil eleitores, Aparecida de Goiânia 234 mil e Anápolis 218 mil. “A administração de Iris é uma referência muito positiva e atinge as principais cidades porque o cidadão cria a expectativa de ter um governante igual.”

Na opinião de Marcus Vinícius, nos últimos anos Iris Rezende revitalizou sua figura e seu nome no Estado. "Houve uma adesão à imagem de Iris." Enquanto Marconi Perillo manteve seu patrimônio eleitoral, principalmente no Entorno do Distrito Federal e junto ao funcionalismo público, apesar da distância imposta pelo Senado. Iris Rezende ganhou um espaço que não tinha entre a juventude e os formadores de opinião no mesmo período.

Por outro lado, observa o publicitário, Marconi Perillo perdeu eleitores devido ao distanciamento com o governador Alcides Rodrigues. “O formador de opinião que credenciou o voto a Alcides por causa de Marconi não avalia esse rompimento de maneira neutra.” Segundo Marcos Vinícius, o eleitor vai fazer uma opção e os 4% de votos conferidos ao candidato governista, Vanderlan Cardoso, seriam resultado desta escolha. Teriam migrado de Marconi Perillo para Vanderlan Cardoso, na opinião do publicitário.

A aliança com o PT contribuiu para a mudança na imagem de Iris Rezende, na opinião de Marcus Vinícius. Segundo ele, a legenda do presidente Lula foi um trampolim para o ex-prefeito abandonar o conceito da “panela”, que acompanhava o PMDB desde 1998. “A aliança foi importante para mostrar que Iris estava renovado e disposto a ter mais abertura no processo que sempre teve.” Hamilton Carneiro, publicitário da Stylus, concorda. “Quem criticava que o PMDB por ser fechado, não tem como fazê-lo depois da aliança com o PT.”

Para o pesquisador Mário Rodrigues Filho, diretor do Grupom, não há elementos suficientes para afirmar que houve uma mudança no quadro eleitoral goiano. “Seria necessário uma série história para se afirmar essa mudança.” Mas ele admite a popularidade de Iris Rezende na capital repercute nos demais municípios vizinhos por intermédio dos meios de comunicação. "Nessa região é mais fácil o acesso à mídia." O marqueteiro Hamilton Carneiro também credita à influência da comunicação à popularidade de Iris Rezende na região central do Estado.

Na opinião do presidente do Instituto Ecope, José da Costa Freitas, Marconi Perillo mantém sua supremacia nas grandes cidades como Itumbiara, Luziânia, Rio Verde e “mesmo em Jataí”. Segundo ele, a preferência por Iris Rezende na região metropolitana é resultado da influência de sua administração. “As pessoas vivem voltadas para Goiânia e o ex-prefeito tem maioria nessa região do entorno da capital porque as pessoas tendem a querer que seus municípios tenham o mesmo resultado.” Na opinião de José Freitas, o PMDB ainda é o partido das pequenas cidades e Marconi Perillo das grandes cidades.

PMDB colheu frutos na eleição de 2008

Essa mudança no mapa eleitoral goiano já foi percebida em 2008, quando Iris Rezende foi reeleito no primeiro turno e a legenda conquistou prefeituras importantes, como de Aparecida de Goiânia e Jataí, que eram administradas pelo PR em aliança com o PSDB, Trindade e Goianésia, cujos prefeitos eram tucanos, e Catalão, que já era do PMDB.

Segundo o prefeito de Goianésia, Gilberto Naves, essa mudança no mapa eleitoral é resultado de vários fatores, sendo um deles o bom desempenho de Iris Rezende na capital. Mas, além disso, há, segundo o prefeito, um sentimento generalizado de mudança nas cidades de médio e grande porte. “Onde a população tem acesso ao debate político e por isso tem um posicionamento mais crítico.” Na opinião do prefeito, as pesquisas têm mostrado que pessoas querem a alternância no poder e o PMDB constitui essa possibilidade de mudança. “A renovação é parte fundamental da democracia porque o novo ciclo complementa aquilo que o ciclo anterior deixou de cumprir.”

Para o deputado federal Luiz Bittencourt (PMDB), não houve mudança na divisão do eleitorado goiano. Segundo ele, a visibilidade de Iris Rezende ampliou sua popularidade, mas a polarização entre as duas legendas se mantém. “Os dois (Iris Rezende e Marconi Perillo) são os dois candidatos com maior visibilidade.” Para Leonardo Vilela, deputado federal e presidente do PSDB goiano, o resultado da pesquisa Serpes reflete o investimento que Iris Rezende fez em propaganda nos últimos anos. “Além da mídia espontânea que o cargo já produz.” Segundo o tucano, devido à exposição do ex-prefeito na região metropolitana ele passou a estar mais presente no inconsciente do eleitor. “E o que acontece em Goiânia se reflete no entorno da capital.” Na opinião de Leonardo Vilela, o bom resultado de Iris Rezende na região central é um “fato circunstancial”.

Para o tucano Carlos Maranhão, o fato de o eleitorado de Iris Rezende estar concentrado no Centro do Estado se dá porque o peemedebista não tem feito campanha em todo Estado nos últimos anos e tem concentrado sua ação política como prefeito de Goiânia. "Ele tem mesmo que ter maior expressão na cidade que estava administrando." Ele nega que Iris Rezende esteja mais bem posicionado que Marconi Perillo nas grandes cidades e cita como exemplo os municípios de Itumbiara e Luziânia, onde o candidato tucano tem a preferência do eleitorado.

Segundo Carlos Maranhão, o equilíbrio entre Iris e Marconi detectado na região Sudoeste ocorre porque os municípios daquela região são mais tradicionais, “diferente do que ocorre no Entorno do Distrito Federal, que tem sempre um eleitorado recente”. Mas o nível de conhecimento dos dois candidatos é altíssimo, afirma o marqueteiro. “Em todos o Estado, o conhecimento sobre Marconi e Iris é igual, cerca de 98%.”

Para o ex-deputado Vilmar Rocha (DEM), a forte presença do PMDB nas grandes cidades e o bom desempenho de Iris Rezende nas pesquisas de intenção de votos é resultado das eleições de 2008. “Diante da omissão, da falta de projeto político, da falta de liderança, da mediocridade e da inexpressividade do governo estadual e do rompimento com a base aliada, o PMDB avançou nestas cidades e ganhou as prefeituras.” Segundo o democrata, com as prefeituras nas mãos, o PMDB se fortaleceu em todo o Estado. “Nestas cidades onde o PMDB saiu vitorioso, nós não tivemos candidato competitivo.”

Além disso, observa Vilmar Rocha, Iris Rezende conseguiu mudar sua imagem, que estava desgastada por causa das duas últimas derrotas eleitorais, uma para governador, em 1998, e outra para senador, em 2002, “Seu primeiro mandato frente à Prefeitura de Goiânia foi considerado uma boa gestão pelos formadores de opinião”. “Como Pedro Wilson foi fraco, administrativamente, e Iris entrou e fez uma gestão melhor, ele recuperou a imagem de bom administrador em Goiânia”, explica o deputado. Uma mudança que não teve a contribuição do PT, na opinião do democrata. “Se deu em função do esforço do próprio Iris para se reciclar.”

De acordo com Vilmar Rocha, a renovação de Iris Rezende esvazia o antigo debate entre o velho e o novo, proposto pelos tucanos nos confrontos entre as duas legendas. “Até porque Marconi não é mais considerado novo”, observa Vilmar Rocha.

O presidente do PMDB, o ex-prefeito de Catalão Adib Elias, atribui o crescimento do PMDB à reorganização dos diretórios. Segundo ele, em 2006, quando Maguito Vilela e o ex-prefeito de Catalão disputavam a candidatura da legenda para governador, eles reestruturaram o partido no interior. O resultado, afirma Adib Elias, foi a eleição de 60 prefeitos com 1 milhão e 200 votos. Em 2004, a legenda elegeu 47 prefeitos no Estado. “O PSDB obteve na eleição para prefeitos cerca de 700 mil votos”, compara. Segundo o presidente da legenda, essas prefeituras são fundamentais agora na eleição para governador e ele conta também com Anápolis e Planaltina, no Entorno do DF, cujo vice-prefeito é do PMDB. “O prefeito é do PSC, mas apoia o PMDB”, garante.
Como fica a situação em Anápolis e no entorno de Brasília

De acordo com a pesquisa Serpes, o senador Marconi Perillo tem melhor desempenho nas regiões Sul e Norte e no Entorno do Distrito Federal. Os dois candidatos estão tecnicamente empatados no Sudoeste e no Noroeste. O levantamento aponta, no entanto, que o maior número de indecisos se encontra justamente no Entorno de Brasília, onde o senador tucano tem a maior vantagem em relação ao ex-prefeito da capital. “O eleitor do Entorno é muito renovado devido à grande migração que há na região e os políticos mais antigos são menos conhecidos”, explica o marqueteiro Carlos Maranhão. É o que justifica o fato de Iris Rezende ter menos votos nos municípios da região, “aliado ao fato de Marconi Perillo ter feito um bom trabalho no Entorno em comparação com o ex-governador Maguito Vilela (PMDB)”, avalia Maranhão.

E o PMDB acaba de perder o apoio do PSC, que, acompanhando a direção nacional da legenda, vai se aliar ao PSDB. A decisão levou o presidente do diretório regional do PSC, Euler Morais, a abandonar o cargo. Euler Morais estava à frente da legenda há sete anos e tinha o compromisso de apoiar o PMDB. A decisão compromete o apoio de Joaquim Roriz, pré-candidato ao governo do DF pelo PSC, a Iris Rezende no Entorno, um apoio importante, já que o ex-governador do DF tem um eleitorado expressivo na região.

Joaquim Roriz, que trocou o PMDB pelo PSC no ano passado, é amigo de Iris Rezende e a dobradinha entre os dois é histórica no Entorno. Diante da aliança entre PSC e PSDB em Goiás e no Distrito Federal, a aliança formal entre os dois é impossível, o que favorece Marconi Perillo. Mas, informalmente, Roriz e Iris ainda podem compor no Entorno.

Anápolis é uma incógnita eleitoral. O terceiro maior colégio eleitoral do Estado tem demonstrado rejeição pelo PMDB desde a administração de Adhemar Santillo (PMDB), de 1985 a 1988. “Mas Marconi Perillo também não é forte na cidade”, afirma o publicitário Marcus Vinícius Queiroz. “O senador não conseguiu eleger o deputado Rubens Otoni a prefeito da cidade, em 2008.” Segundo o publicitário, a resistência dos anapolinos ao PMDB é resultado também da falta de atenção que Maguito Vilela teve com a cidade quando era governador. “Marconi Perillo demonstrou carinho por Anápolis, o que não quer dizer que seja forte no município”, observa Marcus Vinícius.

Na opinião do publicitário, o eleitor anapolino é diferente, tem uma cultura própria. “Ele tem uma relação com a cidade que não se vê nos outros municípios e avalia os candidatos pela conveniência da cidade.” As últimas eleições para prefeito na cidade demonstram isso. Em 2000, a população elegeu o empresário paulista Ernani de Paula pelo PPS, cassado três anos depois e cedendo a cadeira a Pedro Sahium, do PSB, que se reelegeu em 2004. O atual prefeito, Antônio Gomide, é do PT. Nenhum dos últimos três administradores da cidade saiu das grandes legendas goianas.

Na opinião de Marcus Vinícius, Iris Rezende quebrou um pouco a resistência dos anapolinos com o PMDB e a aliança com o PT aumenta a vantagem da legenda na cidade. “O PMDB pode equilibrar o jogo com Marconi Perillo.”

 

 


 



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