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23/05/2010
“A aliança com o PMDB é uma articulação importante”
O prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), afirma que a disputa com o PMDB local é coisa do passado e destaca a importância de uma aliança com o partido em nível nacional e estadual. À Tribuna, Gomide também falou de seu trabalho de gestor municipal e de como participará do processo eleitoral, tanto apoiando os candidatos a deputado federal e estadual quanto os postulantes aos cargos majoritários.
Allyson de Sousa, Marcos Bandeira e Marco Antonio Oliveira
Como membro da equipe de coordenação da pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, o senhor continua a acreditar que esta eleição não terá caráter plebiscitário?
Estou convicto de que mesmo neste momento, em que o eleitor ainda não discute a eleição, as ações direcionam para o projeto daquilo que está sendo feito, e é um projeto comparativo ao que era feito antes do governo Lula. Nesta semana eu participei da “XIII Marcha dos Prefeitos” em Brasília, que teve a presença de mais de 4 mil prefeitos, e em todo os lugares em que conversamos a discussão é se o Brasil vai manter o projeto do presidente Lula, com a Dilma, ou se vai voltar ao projeto que do Fernando Henrique Cardoso. Os prefeitos dos partidos que apoiam, e inclusive de partidos que fazem oposição ao governo Lula, percebem que esta será uma discussão que será feita naturalmente nos debates. Eu entendo que a sociedade brasileira está madura, e que este debate pode trazer benefício para o país. Este é o amadurecimento político que está sendo feito, na ideia do personalismo, mas na ideia do projeto: que tem dado certo e que pode ter visibilidade para o futuro. O presidente Lula está preparando o Brasil para que nos próximos anos sejamos a quinta maior economia do mundo, mas o nosso crescimento não é apenas econômico. Hoje o Brasil é um país respeitado em sua soberania, sendo que o presidente Lula é chamado para mediar situações conflitantes no mundo bastando ver a questão do Irã. O nosso país se tornou respeitado por aquilo que faz e não por aquilo que diz; isso pode ser visto pelo índice de aprovação do presidente Lula, superior a 80%, um governante que tem a confiança do povo e um projeto para o futuro, tanto que preparou sua candidata para dar continuidade.
Qual foi a principal reivindicação dos prefeitos na “XIII Marcha”?
Foram feitas várias reivindicações, mas a mãe de todas elas é a emenda 29, a emenda para a Saúde, que tenta buscar maior quantidade de verbas para investimento em saúde, aumentando o orçamento em todos os municípios. Os municípios, principalmente os menores, são muito sacrificados em investimentos na receita própria. A agonia dos prefeitos é muito grande, até porque os governos estaduais têm aplicado menos que a proporção exigida dos 12%. São poucos os estados que realmente têm aplicado estes recursos.
O anúncio de Michel Temmer (PMDB) para ocupar a vice na chapa do PT é, do ponto de vista nacional, um fato histórico em termos de aliança partidária. Como o senhor avalia isso, levando-se em conta que os dois partidos também estarão juntos em Goiás?
O momento, para o PT, foi muito rico, pois conseguimos colocar para muitos daqueles que não acreditavam que o presidente Lula iria ser presidente, que nós conseguimos elegê-lo, e não só elegê-lo, mas um belo de um governo reconhecido por milhões de brasileiros e com reconhecimento internacional. Esse amadurecimento veio do entendimento de que não é mais possível fazer política sozinho. A lição que fica é que precisamos cada vez mais na política ter as pessoas que possam caminhar no mesmo projeto, mesmo que sejam de partidos diferentes. Pensar igual a quem está junto é muito fácil, mas pensar e ter projetos em comum com pessoas diferentes é que é a construção política, isso sim é fazer política, e o PT está fazendo política. Quando o presidente Lula consegue no Congresso Nacional, ter a união de esforços de partidos para pensar o Brasil, ele faz política na articulação, porque ele tem não somente o objetivo de falar, mas de agir, de fazer uma Ferrovia Norte-Sul, de melhorar os portos, de melhorar a infraestrutura, de melhorar o saneamento do país. É impossível avançar em projetos como esses, macros, sem ter a maioria no Congresso.Hoje o PMDB é um aliado respeitado e está na base de sustentação do governo Lula, principalmente no segundo mandato. Entendemos que a aliança com o PMDB é uma articulação importante, assim como com os outros quatorze partidos que compõem a base de sustentação do presidente Lula, cada um, obviamente, com a representação e força em algum Estado. O mais importante é que tenhamos um projeto em que estes partidos estejam contemplados e que entendam as ações que são feitas. Se esta mesma discussão fosse feita no momento da redemocratização, em 1979-1980, e em 1982, quando tivemos a primeira eleição depois que acabou o bipartidarismo, com certeza a discussão seria a de firmar partidos, firmar programas, fixar novas posições políticas. Agora, trinta anos depois, após a convivência com partidos de esquerda e com partidos de direita, com partidos que puderam mostrar suas ações de administrações diferentes nas cidades, nos governos, e na presidência inclusive, a população amadureceu, e percebemos que os partidos também amadureceram. Hoje, não adianta ter apenas o partido em si, política se faz conversando. Temos a maturidade de dizer que em Goiás nós podemos construir juntos, pensando como partidos diferentes, mas com o mesmo objetivo. Nosso maior projeto é garantir a vitória de Dilma em Goiás. A nossa segunda preocupação é construir nos governos estaduais um projeto que some com o projeto nacional. O senhor acredita que seu alto índice de aprovação popular lhe dará mais condições de ajudar o candidato da aliança PT/PMDB ao governo do Estado? Eu quero fazer o dever de casa, que é fazer uma boa gestão. As pessoas sabem que o prefeito é do PT, sabem de que lado político nós estamos. Nós não vacilamos nisso. Elas sabem quais serão nossos adversários. Estamos posicionados e a sociedade, quando votou, votou sabendo de que lado da política nós estamos. Tenho certeza de que uma boa gestão é fundamental para nos tornarmos um bom cabo eleitoral para poder eleger mais pessoas que estão do lado do projeto que deu certo para a cidade. Nós iremos participar, mas não iremos contaminar a nossa gestão com processo eleitoral. A nossa gestão é para a cidade, uma gestão para todos, independentemente de partido político. Nós não fizemos ao longo desses quinhentos dias, e não vamos fazer, seleção partidária para pensar a cidade. Todos os partidos que quiseram participar da nossa administração nós abrimos espaço, que vai do PC do B ao DEM, inclusive com indicação de nomes técnicos. Tenho o sentimento de que se eu fizer uma boa gestão, se tiver hoje a concordância com a cidade naquilo que estou fazendo e naquilo que ela precisa fazer, com meu candidato terei mais condições de ir às ruas pedir voto e tenho certeza de que as pessoas apenas vão votar nos meus candidatos se sentirem que as coisas estão dando certo, é assim que a população vai perceber que as pessoas para quem nós pedirmos votos são pessoas que irão somar para a cidade e para o estado, pessoas que vão poder nos ajudar nos próximos anos: a cidade precisa de maior representatividade estadual e federal. “O processo eleitoral que disputamos com o PMDB local já passou. Nós ganhamos a eleição e isso é uma página virada. Estamos discutindo projetos e acordos nos planos estadual e nacional” Como fica a relação com o PMDB anapolino tendo em vista o processo eleitoral? O processo eleitoral que disputamos com o PMDB local já passou, nós ganhamos a eleição, isso é uma página virada. Nós estamos entendendo e discutindo os projetos nos planos estadual e nacional, os acordos que foram feitos são acordos de projetos: queremos o governo do estado melhor, e queremos que a nossa gestão, do PT em Anápolis, possa cada vez mais, estar próxima do governo, caso o próximo governo seja da nossa chapa, o Iris Rezende. Temos tranquilidade em dizer que temos conversado com os dois vereadores da bancada do PMDB, pois é necessário superarmos as diferenças municipais, até porque nossa gestão é extremamente das duas que o PMDB teve na prefeitura. Estamos abertos para o diálogo, o entendimento e a maturidade em se fazer projetos e discutir o que é bom para agora e para o futuro. O senhor teme que a rejeição que o eleitorado local atribui ao PMDB anapolino prejudique o crescimento de Iris na cidade? Na política não adianta ter o cacique ou o personalismo, nós estamos dentro da administração mostrando que é possível não só no discurso, mas também na prática, poder fazer a cidade melhor. Eu percebo que nós precisamos fazer políticas assertivas, políticas propositivas, que nós precisamos construir uma agenda positiva para a cidade, e nesses quinhentos dias nós estamos construindo isso, esta é a forma de trabalharmos, não é olhando o que não deu certo, é construindo para as pessoas perceberem que até aqueles que não acreditavam na nossa administração já começam a acreditar, e começam a ver que a cidade está melhorando, e se está melhorando é porque a política está sendo certa. Esse é o exemplo, a ação, a ação que é mais forte que o passado. Quem tem que construir isso é a nossa gestão e ela, se está dentro de um projeto que é o mesmo projeto do Iris Rezende, irá levar uma boa mensagem àqueles que estão indecisos e àqueles que até questionaram. Uma maior representatividade na Assembleia Legislativa irá colaborar para que mais benefícios estaduais sejam destinados ao município? Nós temos uma ligação muito boa com o governo Alcides e com o governo Lula. Acredito que esta relação tem que ser construída pelo prefeito, pois é um relacionamento direto. Mas quando temos um deputado estadual, como o Frei Valdair, e federal, como o deputado Rubens Otoni, tenho certeza que a ligação se torna mais forte. Entendo que se tivéssemos mais deputado seria melhor, principalmente se tivessem qualidade, desde que estejam na perspectiva de somar com o projeto para a cidade e não fazer política isolada. Estamos em uma posição estratégica, um eixo entre Brasília e Goiânia, o segundo maior eixo econômico do país, e que esperamos, para os próximos dez anos, uma mudança completa da cidade em relação ao crescimento e à qualidade de vida. Por qual razão o ritmo da campanha da frente sustentada por PMDB e PT está lento? O momento ainda é de articulação política, de construir a chapa, de se definir os candidatos a deputado estadual e federal, e os partidos que irão fazer composição de coligação. Este momento é mais de ansiedade da nossa parte, que somos políticos, e gostaríamos de ver esta campanha mais acesa, do que propriamente do momento correto. Os exemplos de outros momentos eleitorais provam que o candidato que larga na frente nas pesquisas quando chega no processo de televisão, o de decisão do voto, não se mantém no mesmo patamar. A decisão do voto do eleitor se faz no momento do processo eleitoral, os sessenta dias em que o candidato define estratégias para a televisão, para a rua e para debate. No momento a população está muito mais ligada à Copa do Mundo que ao processo eleitoral, mas quem é de partido está preocupado. Em termos de composição das chapas, como o PT discute internamente? Na majoritária nós vamos com o PMDB. Para as chapas proporcionais faremos coligações apenas com um ou dois partidos menores. O entendimento é que o PT faça parte da majoritária com uma ou duas indicações. Se por ventura tivermos três candidaturas colocadas: uma coordenada pelo governador, outra pelo PMDB/PT e última pelo PSDB, teremos possibilidades de indicar o vice e um candidato ao senado. O senhor defende que o deputado Rubens Otoni seja um dos representantes do PT nessas vagas majoritárias? Rubens Otoni é um nome do PT construído em Goiás, e como ele tem uma boa articulação política com o governador Alcides e com o Iris Rezende, tenho certeza de que ele seria um bom nome de aceitação dos dois lados. Mas particularmente eu gostaria de vê-lo como deputado federal, sendo reeleito, bem reeleito para que pudéssemos ter mais forças no município e no estado. No quadro do PT, o senhor tem preferência por algum nome dessa chapa majoritária? Temos várias pessoas: os nossos deputados estaduais; o próprio presidente regional do partido, Valdi Camácio; o deputado federal Pedro Wilson, que é um expoente do partido. O PT tem vários nomes que poderão ser colocados a qualquer momento em um afunilamento de chapa, precisamos aguardar junho para definir como teremos este fechamento. O senhor não cita o nome da ex-vereadora Marina Sant'Anna, existe alguma rejeição para que ela seja a candidata do partido? Não, nenhuma. Acredito que ela esteja pleiteando uma candidatura a deputada federal. Internamente, no partido, ela tem bom trânsito para que possa colocar seu nome para pleitear a indicação, mas nesse caso são as forças que precisam acenar. Cada lado deve trabalhar por uma chapa que possa aglutinar mais votos. |