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Rubens Otoni na Mídia
Rubens Otoni - 10/03/2010 - Indeciso, Iris diz que deixar o cargo “não é brincadeira”
10/03/2010
Indeciso, Iris diz que deixar o cargo “não é brincadeira”
Prefeito alerta para compromisso com Goiânia e alega obediência ao povo

Márcia Barbosa
Da Editoria de Política & Justiça

O prefeito Iris Rezende (PMDB) reafirmou ontem sua indecisão em ser candidato ao governo do estado de Goiás, nas eleições deste ano. Em manhã de prestação de contas na Câmara Municipal de Goiânia, Iris disse que só quem vive o momento em que ele está vivendo é que sabe a responsabilidade e a dificuldade em tomar uma decisão. “Isso não é brincadeira”, afirmou. O prefeito lembrou sua segunda conquista à administração da prefeitura, em 2008, quando foi reeleito com 75% dos votos e reiterou o discurso já conhecido: “Preciso sentir essa cidade com mais intensidade. Quero fazer as coisas de acordo com o sentimento do povo. Aliás, se tem alguém a quem eu devo obediência, esse alguém é o povo”.

Questionado sobre as causas de um possível recuo à esta altura do campeonato, Iris respondeu que nunca afirmou que seria candidato a governador. O prefeito advertiu que há tempos segue dizendo que o partido está debruçado sobre a questão da candidatura própria, que está discutindo nomes e buscando alianças e citou, inclusive, a polêmica candidatura do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. “O meu nome está sendo discutido, mas já se discutiram outros, como o de Meirelles, por exemplo”, lembrou. O peemedebista admitiu, no entanto, que, de todos, ele é a pessoa que tem mais dificuldade em tomar decisão e justificou. “Tenho um compromisso com Goiânia. De forma que, não posso, em hipótese alguma, tomar uma atitude como essa sem pensar, repensar, pensar e repensar de novo”.

O prefeito disse ainda que tem até o final do mês para decidir se fica à frente do Executivo Municipal ou se renuncia ao cargo de prefeito e oficializa candidatura. “As expectativas têm aumentado, pelo povo e pelos concorrentes, a preocupação por parte dos partidos também tem crescido por causa do momento de decisão que se aproxima, o que é natural. Mas eu tenho alguns dias para decidir se fico (na prefeitura) ou se represento o meu partido e os demais aliados”.

O próprio já reiterou essa vontade várias vezes, nos últimos anos. Neste mês, mais ainda. Disse que não vai para junto de Deus sem antes limpar sua imagem com os jovens, atualmente deturpada, segundo ele. Afirmou que no Executivo Estadual pode fazer trabalhos em um ano trabalhos que demoraria 10 anos para fazer na prefeitura, entre muitas outras coisas. No entanto, há que se considerar que várias são as dúvidas que povoam os pensamentos de Iris. O próprio posicionamento do prefeito, nas últimas semanas, demonstra isso.

Outro fator que preocupa o prefeito é deixar o comando da prefeitura nas mãos do PT. Apesar de serem parceiros de longas datas, o PMDB tem as suas preocupações quanto ao rumo da administração do Paço Municipal. Não é à toa que teria Iris teria pedido ao vice-prefeito Paulo Garcia (PT) que segurasse alguns cargos até outubro. As mudanças seriam feitas em comum acordo pelos dois. Paulo Garcia teria ainda dado a palavra de que o restante da estrutura da administração não seria modificado.

Interrupções

Ainda nessa onda de dúvidas, há a preocupação por parte do prefeito de ficar conhecido como o político que não termina mandato. De acordo com Iris, seus adversários estariam ligando essa atitude a ele. Isso, segundo Iris, porque o peemedebista deixou o governo do Estado, em 1985, quando era governador, para ser ministro da agricultura e depois em 1993, quando também era governador, para ser candidato ao Senado. “Na primeira vez, deixei o cargo porque ocupar o ministério seria uma oportunidade praticamente única, à época, para Goiás tomar assento na mesa das decisões nacionais e valeu muito apena”, justifica. Iris disse ainda que quando renunciou a segunda vez, para ser senador, continuaram falando que ele não concluía mandato. “Por isso tenho que contar até 10 antes de tomar uma posição, para evitar comentários do tipo”.

Para somar a todos esses contratempos, existe também a preocupação com a saúde de Iris, por parte da família. O prefeito tem 76 anos e a disputa por um cargo eleitoral requer desgaste físico e psicológico, além de dedicação quase que 24 horas por dia, e esforço para participar de debates, encontros, passeatas, comícios, entre outros. No final do ano passado, passou por cirurgia no intestino.

Para Valdi, “indecisão” faz parte da estratégia eleitoral

As declarações do prefeito, de indecisão da candidatura, sugerindo uma possível desistência de concorrer o pleito de outubro, não têm preocupado os petistas. Ao DM, o presidente estadual do PT, Valdi Camarcio, disse que o partido tem convicção que Iris é o candidato. Ele reitera que o prefeito há tempos se colocou a disposição do PMDB e do PT. “Não há nenhum clima de insatisfação no partido quanto a isso. Estamos certo de que Iris irá oficializar sua decisão em poucos dias”.

Valdi acrescentou que cada político tem o seu método de trabalho e que o PT respeita “o estilo de Iris de caminhar para a formalização da candidatura”. “Cada pessoa tem uma forma de trabalhar. Ele tem de administrar tudo e, até o final de março, ele anuncia. É nisso que a gente acredita”, afirmou. Questionado pelo plano B, Valdi não quis se pronunciar, pois, segundo ele, o recuo de Iris não foi cogitado pelo partido.

Por telefone, a ex-deputada federal e Secretária Municipal do Desenvolvimento Econômico (Sedem), Neyde Aparecida, disse que o partido espera, com tranquilidade, até o dia 2 de abril, data em que Iris tem de desincompatibilizar. A secretária lembrou, todavia, que o prefeito em nenhum momento confirmou que seria candidato. “Ele demonstrou disposição para ser o nome. Todavia, estamos tranquilos. O PT já oficializou o apoio ao PMDB e até lá (prazo final) vamos aguardar a posição de Iris”.

De acordo com Neyde, caso Iris realmente desista, o PT tem duas alternativas: sentar com o PMDB para conversar e decidir se apoia outro nome colocado pelo partido ou então lançar um candidato próprio, que poderia ser o do deputado federal Rubens Otoni (PT), que aliás tem cumprido agenda de pré-candidato. “Mas, acredito que essa possibilidade (de desistência) é muito distante”.

Pelas conversas com petistas, parece que a indecisão de Iris está mais para alcançar algum objetivo, camuflado, do que para recuo, de fato. E os objetivos podem ser vários: apoio de lideranças de peso, como do governador Alcides, entre outras, segurança por parte do PT nacional e estadual de que não sairia perdendo, enfim, estratégias para uma disputa que promete ainda muitas surpresas até outubro.

De saída

Questionada sobre sua candidatura, Neyde Aparecida disse que ela ainda não está definida e que isso deve acontecer somente após o fechamento de alianças entre o PT e os demais partidos parceiros. A secretária também afirmou está em dúvida quanto a vaga a qual irá concorrer. “Ainda não sei é deputada estadual ou federal. Mas a tendência é que seja deputada estadual”, afirma.

Entre os demais secretários municipais que deverão deixar seus postos até maio, para concorrerem a uma vaga no pleito deste ano, estão Euler Morais, do Turismo; Lívio Luciano, da Comunicação; Mauro Miranda, da Habitação e governo e Wagner Siqueira, da Comurg.


 



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