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Rubens Otoni na Mídia
Rubens Otoni - 07/03/2010 - Agindo como candidato, Iris já prepara transição
07/03/2010
Agindo como candidato, Iris já prepara transição
Anapaula Hoekveld

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), está em clima de despedida do Paço Municipal. Como adiantou a Tribuna, na última semana, o prefeito já discute a transição com o vice, Paulo Garcia (PT). A agenda atribulada que mais parece de candidato em plena campanha também alimenta as expectativas pela candidatura do peemedebista ao governo do Estado. Iris não diz que é candidato. Mas, age como se fosse. E, a essa altura do campeonato, é difícil imaginar que ele não seja. Sem Iris, o PMDB teria de começar as articulações da estaca zero, mais uma vez.

As conversas e as ações empreendidas pelo PMDB na construção de alianças para o próximo pleito foram baseadas na hipótese de candidatura do prefeito. Se Iris não for candidato? O diálogo com PT, PR e todos os outros partidos dispostos a investir na postulação peemedebista terá de ser reiniciado e pode não dar tempo de se alcançar um consenso. Resumindo: o PMDB depende da candidatura do prefeito para as próximas eleições. E Iris sabe disso, tanto que trabalha para reforçar sua chapa e prepara uma série de inaugurações neste mês para deixar a casa em ordem para Paulo Garcia.

A expectativa é de que a partir da próxima semana o prefeito tenha pelo menos uma inauguração ou lançamento de obra por dia. Além disso, os secretários do Paço que pretendem se candidatar nas próximas eleições devem renunciar antes do prazo de desincompatibilização do prefeito, para que o próprio Iris faça as substituições em comum acordo com Paulo Garcia, claro. Dessa forma, o prefeito deve exonerar e nomear os novos auxiliares e poupar seu vice de sofrer possíveis pressões para o preenchimento dos cargos.

Nos bastidores, aliás, petistas e peemedebistas já disputam os espaços ocupados pelos secretários postulantes – Mauro Miranda (Habitação), Wagner Siqueira (Comurg), Euler Morais (Turismo), Lívio Luciano (Comunicação) e Neyde Aparecida (Sedem).

Em entrevista à Tribuna, Paulo Garcia evitou comentar a possível saída do prefeito Iris Rezende, mas foi categórico ao afirmar que nada deve mudar na estrutura da administração municipal se ele assumir o comando do Paço. E o discurso de continuidade da gestão foi defendido também pelo assessor especial da prefeitura, Osmar Magalhães (PT). Segundo ele, “o governo do Paulo será o do Iris”. Osmar argumenta que “quem governa hoje são os 14 partidos da coligação que elegeu o prefeito, e assim vai ser até o fim. Mexer nessa estrutura seria por demais autoritário”.

Romaria
Desde o início do ano as visitas de lideranças do interior ao gabinete do prefeito Iris Rezende se tornaram mais frequentes. Prefeitos, vereadores, secretários e líderes comunitários de todo o Estado vêm a Goiânia para hipotecar apoio ao peemedebista. E esse apoio também serve de incentivo para a candidatura irista. Afinal, Iris nunca se colocou como candidato, mas se diz movido pelo “clamor popular”. Por diversas vezes, o prefeito disse que seria candidato se fosse da vontade da população. Se as lideranças demonstram apoio a essa candidatura, por que ele não toparia a disputa?

Afinal, não há concorrência dentro do PMDB ao seu nome. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está cada vez mais próximo de uma composição nacional, cotado para a vice da presidenciável Dilma Rousseff (PT). Além disso, Iris é hoje a principal liderança do partido e, sem Meirelles, é o único nome viável para essa disputa.

Alianças
A prioridade do PMDB é arregimentar novos aliados e tentar unir a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em prol da candidatura peemedebista. Com esse objetivo, o prefeito mantém diálogo com o PR do deputado Sandro Mabel e com o PP, do governador Alcides Rodrigues. No entanto, não há consenso sobre a melhor estratégia para os aliados do presidente no Estado, o que acaba dificultando um acordo. A tendência, por ora, é de lançamento de três candidaturas ao Palácio: uma encabeçada pelo PMDB, outra pelo PSDB e a terceira por partidos que compõem a Nova Frente, com o apoio do governo estadual.

Além de buscar novos aliados, o PMDB tenta consolidar o apoio dos atuais companheiros. Assim, o prefeito conversa também com as tendências petistas que foram contrárias ao apoio à sua candidatura para o pleito municipal.

O PT, aliás, já afirmou que vai apoiar a candidatura de Iris ao governo do Estado. Até mesmo lideranças do Movimento Cerrado, liderado pelo deputado federal Pedro Wilson e pela ex-vereadora de Goiânia, Marina Sant'Anna, demonstraram interesse em apoiar Iris. Ambos, inclusive, são cotados para composição da chapa majoritária – Marina para vice e Pedro para o Senado.

Mantendo o diálogo com essas lideranças, Iris pode realizar uma missão muito difícil: unir todo o PT em prol de sua candidatura. Há petistas que arriscam dizer que, na atual conjuntura, isso não seria tão difícil, já que o nome do deputado Rubens Otoni não se mostrou viável para a disputa.

No entanto, a diversidade de pensamento das diferentes tendências petistas acaba alimentando a dúvida em relação ao envolvimento da legenda na campanha peemedebista. Afinal, depois que o prefeito deixar o Paço, quem garante que o PT vai vestir sua camisa e entrar de cabeça na sua campanha? Ninguém. Mas, que outra alternativa o partido teria?

Nacional
As articulações do prefeito com o PT são constantes e não só em nível estadual. Na quinta, 4, o peemedebista foi a Brasília para discutir com a ministra Dilma Rousseff as possibilidades de aliança no Estado, além de pedir investimentos do governo federal para obras na capital. Após o encontro, a aliança com o PT saiu reforçada e o prefeito foi incentivado a continuar buscando apoio dos demais partidos da base do presidente Lula, para reforçar, também, o palanque para Dilma.

Sobre os investimentos, há a possibilidade de o governo acelerar o aporte de recursos do programa Minha Casa, Minha Vida em Goiânia e, além disso, a ministra pode voltar a capital para lançar obras de duplicação da BR-060, que podem ser incluídas no PAC 2, a ser lançado pelo governo federal no final deste mês.

Especulações
Apesar de todas as mostras de que a aliança PT-PMDB está consolidada e de que o PMDB deve oficializar a candidatura de Iris nos próximos dias, continuam surgindo especulações de todos os tipos, algumas plausíveis e outras nem tanto. E, nesse momento, Paulo Garcia se torna peça fundamental no tabuleiro da sucessão. O petista precisa mostrar que sabe articular e que tem força para administrar os mais diversos interesses dentro do PT.

Por enquanto, ele tem se mostrado fiel ao prefeito e garante que vai continuar assim. Amanhã, tudo pode mudar. Mas, o fato é que se não existisse uma relação mínima de confiança, Iris não teria cedido a vice ao PT em 2008. Na época, Iris estava em larga vantagem sobre os outros concorrentes e não encontrava dificuldade em conquistar a reeleição. Mesmo assim, ele buscou o apoio do PT e cedeu a vaga na vice, pensando em 2010. O risco foi calculado. Hoje os dois partidos estão atrelados e há uma relação de interdependência entre eles. Separados os dois saem perdendo. Alguém duvida?
 



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