|
07/08/2008
A urgência da reforma política
Rubens Otoni Avolumam-se os sinais da urgência da reforma política. A paralisia do Poder Legislativo neste setor não somente está alimentando um ativismo indevido do Poder Judiciário, que há muito vem atuando em área alheia à sua competência, mas está também contribuindo para escancarar o processo de erosão de um sistema político que pode colocar em risco as conquistas democráticas. Os episódios da ingerência do tráfico de drogas e do crime organizado no processo eleitoral do Rio de Janeiro, a degenerescência dos costumes políticos em áreas beneficiadas por royalties na região norte fluminense e no entorno do Lago de Itaipu são exemplos de que o controle político de muitos municípios se transforma numa luta de gangues. Até mesmo a melhora da qualidade de vida nas cidades cujas populações não ultrapassam 300 mil habitantes, antes de contribuir para a estabilidade e o bem-estar dessas populações, acirra a luta. É como estivesse em marcha um processo de “colombização” do Brasil. Nesta situação, a reforma política é imprescindível para barrar tentações autoritárias e restabelecer o domínio do Estado sobre seu território. As disputas políticas para definir a gestão dos municípios devem ser travadas sob regras claras. Isso requer uma reforma política que estabeleça regras democráticas e transparentes para as disputas entre os diferentes setores da sociedade. A reforma política deve estabelecer o financiamento público de campanha para coibir o abuso do poder econômico; instituir o voto em lista para fortalecer as instituições partidárias e conter os excessos de personalismo; proibir coligações proporcionais para assegurar ao eleitor o direito de eleger um programa e também garantir regras eficazes de fidelidade partidária. O governo sinalizou seu interesse de colocar em pauta a reforma política. O tema diz respeito a todos nós, mas diz respeito particularmente ao Legislativo, ao qual cabe recolher todas as sugestões e mobilizar a sociedade para dotar o Brasil de uma estrutura política capaz de gerenciar democraticamente um período histórico que se anuncia de grande desenvolvimento econômico e social. Rubens Otoni é deputado federal pelo PT.
|