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08/10/2009
Lula bombou!
Muita tinta já foi usada e muitos discursos foram feitos para enaltecer a memorável conquista do Brasil trazendo para o Rio de Janeiro a Olimpíada de 2016. A propósito é interessante observar como se comporta boa parte da opinião pública sobre eventos e ações que mexem com a emoção e a consciência coletiva do povo brasileiro. Antes da decisão as opiniões se dividiam e, por incrível que pareça, uma parte considerável de cronistas esportivos de notória expressão nacional era contra o Rio de Janeiro sediar a Olimpíada. Hoje, olhando para trás, depois da vitória, com a autoestima nacional lá em cima e o País todo comemorando, isso pode até parecer estranho, mas nem tudo era unanimidade. Podia se perceber a defesa de uma postura pessimista sobre as nossas possibilidades, decerto calcada em uma visão atrasada e carregada de resquício ainda de uma cultura neocolonialista acreditando que o Brasil nunca poderia derrotar a Espanha, Japão e, muito menos, os EUA. Contudo, isso não é privilégio de uma parte dos cronistas esportivos, como também pode ser verificado na cabeça de uma parcela da população influenciada pelo peso dessa cultura subdesenvolvida que considera o Brasil ainda um país de segunda classe no cenário internacional. Entretanto, muitos deles, como Juca Kifoury, se redimiram e fizeram autocrítica ato contínuo ao anúncio da vitória do Rio de Janeiro, reconhecendo seu erro e se curvando ao trabalho inusitado do governo brasileiro na reversão de expectativas.
A vitória brasileira teve o condão de encantar os céticos e pessimistas e refazer uma leitura sobre a ascensão do Brasil no cenário internacional. Não obstante, não se pode deixar de constatar que apesar de tudo, ainda, é uma releitura enviesada e pouco sistêmica. Uns destacam o feito de forma isolada pontificando, sim, na pessoa de Nuzmann e todo o planejamento realizado pela competência da delegação esportiva brasileira incluindo a influência indiscutível no cenário esportivo internacional de figuras como o ex-presidente da Fifa João Havelange e de Pelé, e o trabalho importante do governo. Outros, sobretudo aqueles que fazem oposição a tudo e partidários da tese do quanto pior melhor, não conseguem esconder uma pontinha de despeito e, menos generosos, enaltecem a todos, sem referir, é claro, ao governo, especialmente ao presidente Lula.
Ora, há de se convir, o Brasil conseguiu abocanhar, não por acaso, os dois maiores eventos do esporte mundial: a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada, em 2016. Essas duas importantes conquistas não foram fatos isolados, Não é somente nas atividades esportivas que o País tem conquistado espaço e posições relevantes. Nos últimos anos, algo de inusitado está acontecendo na política externa do Brasil, capaz de alçá-lo com proeminência no cenário internacional, a nível econômico, político e, agora, com destaque nos esportes.
Não seria exagero afirmar que a mudança mais significativa imprimida pelo governo Lula está acontecendo na sua política externa. Desde os primeiros dias de seu primeiro mandato o governo Lula demarcou do governo FHC uma mudança clara na busca de novos mercados, sobretudo com uma inflexão substancial em direção à África e Ásia. Nas conferências de cúpula e organismos internacionais sua postura é diferenciada, defendendo a autodeterminação e independência dos povos e estabelecendo alianças na busca de espaço importantes na defesa dos interesses comerciais dos países emergentes. Recentemente, o Brasil teve um papel decisivo na ampliação do G7 para a constituição do G20, ampliando a participação dos países emergentes no fórum dos países desenvolvidos.
Anteriormente, qualquer problema que ocorresse em algum país da América Latina era corrente ver atracando em suas proximidades a 7ª Frota Americana, o braço armado dos EUA, pronto para intervir sob o manto da Doutrina Monroe. Hoje já não é mais bem assim. A diplomacia brasileira conseguiu uma posição de relevo e o episódio de Honduras é uma demonstração da liderança que desfruta o Brasil no cenário da política internacional. É verdade que os tucanos e o DEM torcem o nariz e não cansam de dizer que tudo isso é uma atrapalhada da diplomacia brasileira, mas sabemos nós que a questão é outra, pois a política externa do governo Lula fugiu dos cânones da velha submissão aos EUA.
Portanto, a conquista da Copa Mundial em 2014 e a Olimpíada em 2016 se insere em um concerto de ações de notória ascensão que denota a ocupação de um novo espaço do Brasil no cenário internacional. Levar a Olimpíada para o Rio de Janeiro é o coroamento de uma política externa de afirmação do Brasil, que já conquistou posição de relevo e respeito pelo que tem feito na área econômica com repercussões no tecido social e a liderança que vem desempenhando na sua política de energia renovável com impacto ambiental. Tudo isso, junto com o carisma e prestígio político do Lula que vem somando para mudar a cara do Brasil no mundo.
Fernando Safatle é economista e presidente do PT de Catalão (fernando.safatle@gmail.com)
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